Rui Bragança faz história!
Há 10 anos
Uma imensa montanha-russa de emoções no jogo de ontem à noite... À partida, a nossa tarefa era muito complicada. Depois de uma derrota por 2-0 fora de portas, tínhamos de marcar e quase de certeza não sofrer, pois um único golo deles implicaria que teríamos de marcar 4. Fui para o jogo com esperança clara, com o coração aos saltos, mas com a mente a dizer que as probabilidades estavam contra nós e que tudo o que viesse a mais de um bom jogo nosso era "lucro". Pensava eu que seria muito complicado não sofrer golos do excelente contra-ataque que demonstraram no Fratton Park e que a nossa equipa não conseguiria pressionar desde o início. Como estava enganado...
O 11 inicial supreendeu-me. Desagradou-me a saída do Carlitos para a entrada do Wênio (em relação ao jogo da Trofa) mas o jogo provou-me que estava errado. Wênio melhorou e muito e está agora um jogador muito batalhador e foi importante na imensa pressão com que começamos o jogo. A primeira parte foi aliás brilhante da nossa parte. Sem jogar um futebol espetacular, sufocamos o Portsmouth e pressionamos em zonas bem avançadas do terreno. O modelo de jogo favoreceu os jogadores em campo e as oportunidades começaram a surgir perante um nervoso Portsmouth.
Aos 16' Douglas ameaça, aos 18' Danilo fica muito perto do golo num canto e aos 19', após novo canto, surge Douglas, à matador, a fazer o primeiro sem hipóteses para David James. Um golo que o Vitória já merecia e que relançava o jogo.
Aos 36' chega o primeiro remate do Portsmouth, mas o Vitória continuava a dominar mas não conseguimos marcar novamente antes dos 45'. E depois do intervalo tudo mudou... Fruto de uma preparação física "à portuguesa" (não estamos habituados a jogar sempre 2 jogos por semana em alto ritmo) e da intensa pressão exercida, a equipa do Vitória (como um todo) pareceu "rebentar" fisicamente logo no início da segunda parte. Disso se aproveitou o Portsmouth para dominar o jogo, mas de forma algo inconsequente.
Carlitos entra em campo aos 62' para dar frescura às alas vitorianas, mas para nosso azar tem de sair logo depois aos 75' por lesão, entrando o (sempre) desinspirado Jean Coral. Aos 78', Cajuda esgota as substituições, fazendo entrar Fajardo para o lugar do desgastado Luciano, recuando Desmarets para lateral-esquerdo, perante o perigo que a rapidez de Glen Johnson proporcionava. Por esta altura vários jogadores do vitória em campo apresentavam claros sinais de debilidade física, mas estoicamente aguentamos até ao 90'.
Veio o prolongamento e com ele pareceu vir uma alma renovada, nos minutos que decidiram o jogo. Aos 100' o árbitro perdoa incrivelmente uma expulsão a Diarra nas suas barbas, numa clara agressão a Andrézinho que todo o estádio viu. Aos 102' o Vitória quase marca por João Alves, na defesa da noite de David James. E aos 104' um grande balde de água fria. Glen Johnson ganha em velocidade a Desmarets, vai à linha e faz um balão para o segundo poste onde parece o gigante Crouch a saltar mais alto que... Andrézinho, fazendo o 2-1 e matando o jogo. Delírio para os milhares de ingleses que até então estavam calados.
Caímos, mas com muita dignidade e no final os adeptos despediram-se da equipa com uma (mais que) merecida ovação. Perdemos o jogo, mas ganhamos uma equipa. Esperemos agora que a componente física não pese demasiado e que na segunda-feira possamos sair do estigma das "vitória morais" para carimbar 3 pontos frente ao Braga. O Vitória, os jogadores e os adeptos bem o merecem!
Tal como eu em relação ao Paixão Vitoriana, também o excelente caricaturista Miguel Salazar não teve o tempo necessário para fazer um cartoon à altura dos seus pergaminhos e do jogo de hoje à noite. Tenho a certeza que no futuro voltaremos a contar com mais fantásticos desenhos dele. E aqui fica o texto que se destinava a acompanhar a caricatura que já estava idealizada mentalmente para hoje. Tal como o cartoon da primeira mão, seria inspirada no famoso livro de estratégia militar "A Arte da Guerra", de Sun Tzu.
Depois da derrota por 2 golos sem resposta em Portsmouth, a vida está complicada para o Vitória. Será necessário um jogo muito bom da nossa parte para ultrapassar este obstáculo que, tal como o Vitória, vem com renovada confiança depois de ter vencido na última jornada o último classificado.
Depois de um interregno forçado aqui no Paixão Vitoriana estou de volta. E tanta coisa se passou que perdeu o seu timing. Mesmo quero pelo menos referir a importantíssima vitória do passado Domingo na casa do Trofense. Um 3-1 no dia em que Cajuda admitiu que errou contra o Nacional e no dia em que jogamos fora mas dominadores, ao ataque. Não foi uma exibição perfeita, longe disso, mas mais que justificamos a Vitória. Mas já tanto foi falado sobre isso que deixo apenas algumas das muitas ligações interessantes da muito participada "internet vitoriana":
Realizou-se ontem o sorteio da terceira eliminatória e o adversário do Vitória será o União de Lamas, o actual 4º classificado da série C da terceira divisão nacional. O jogo disputa-se no D. Afonso Henriques no dia 19 de Outubro. Pode conhecer um pouco mais do U. Lamas através do seu site oficial. O resto dos jogos pode ser visto no site da FPF, num sorteio que não ditou um único confronto directo entre equipas da Liga Sagres.
Em dia de aniversário, o Vitória resolveu oferecer as prendas todas... ao adversário. Foi um jogo onde quase tudo correu mal e o resultado final (derrota e os dois centrais ausentes por dois jogos) dificilmente podia ser pior...
Flávio também. Quanto a mim, colocá-los juntos é fazer o rendimento de ambos baixarem. Além de tudo isto, o Vitória começava o jogo quase sem flanqueadores, com um Fajardo teimosamente em má forma e um Desmarets que tenta mas anda longe do fulgor do ano passado.
A partir daí o Vitória sentiu e muito o efeito do golo. Aos 31' Edson leva (finalmente) amarelo. Aos 34' João Alves faz um excelente remate de fora da área e no minuto a seguir é (incompreensivelmente) substituido por Douglas. Cajuda já tentou justificar a substituição a mim não me convenceu. Perdemos a pouca criatividade e poder de fogo que tinhamos no meio-campo e demasiado cedo partimos a equipa em 2, numa aposta no "chuveirinho". Aos 37' Edson deveria ter visto o segundo amarelo e consequente vermelho. Aos 40' sucedem-se duas jogadas de grande perigo, com um primeiro excelente remate de longe de Desmarets, com boa defesa, e depois a recarga muito perigosa de Douglas. Aos 44' Manuel Machado pressente o perigo e retira o amarelado Edson fazendo entrar um terceiro central. E foi o nosso "canto do cisne"...
Na segunda parte quase nada correu bem. O Vitória não conseguia criar perigo e Jean Coral entra aos 58' para (mais uma vez) não produzir nada de muito relevante. Aos 60' ele próprio está envolvido numa perda de bola em zona proibida que dá origem a um penalti (justo) cometido por Gregory. Paradinha e golo de Alonso e vida muito dificil para o Vitória, a perder 2-0 em casa.
mas parece que afinal foi por suposta agressão. No mínimo estranho e exagerado este vermelho dado por um árbitro que achou que a entrada assassina sobre Carlitos no ano passado nem cartão merecia.